quarta-feira, 26 de junho de 2013

Descoberta 2





Os pensamentos são donos e senhores da minha cabeça.
Autênticos despostas!
Durante a minha vida há desafios recorrentes, associados a determinadas pessoas que me são muito próximas e que me fazem às vezes, explodir de cansaço e lançar perguntas em ritmo de foguetes, estridentes e vistosas, para o espaço.
Nestas alturas, e para me sentir justiçada, imagino que algures no além que nos consola, essas pessoas irão dar-se conta do óbvio, de como foram terrivelmente desesperantes e injustas, de como se impuseram permanentemente e me torturaram entre as consequências do que fiz e o permanente sentimento de culpa pelo que devia ter feito.     
Normalmente o espaço não me responde, hoje surpreendeu-me.
De mansinho deu voz aos meus pensamentos, mandou-me pensar…
- Todas essas pessoas, estão a fazer-te um favor, estão permanentemente a representar um papel que só é útil a ti, não és tu a vítima…são elas!
Depois disto, só um sono profundo.


Descoberta 1



Hoje descobri que a vida ou a morte  das plantas da minha varanda dependem da minha memória.
Há vários dias que as temperaturas estão na casa dos 30 graus.
Adoro.
O ar é permanentemente um aconchego.
Apetece-me arrumar, limpar, lavar.... Inebriada pelo calor, penso nas minhas plantas.
Os meus trevos de 4 folhas encolhidos, de cabeça baixa, sem pinga de água que os traga á vida.
A minha jacarandá, toda cheia de folhas minúsculas, muito verdinhas e suaves como seda, perderam o seu esplendor e vivacidade.
A glicínia, cheia de fios com rebentos, alegres a subir pela parede estão agora ofegantes e aflitos...

Dei-me então conta, da suprema subjugação das plantas da minha varanda ao meu estado de espírito, e mais perigoso ainda á minha memória.
Elas vivem na minha memória e esse facto gigantesco deixou-me triste só de pensar o que podem estar a sentir.
Quero-as livres, quero-as felizes…retribuir-lhes de algum modo a alegria que me dão.
Banhei-as em água.
Juro, que as ouvi rir!
Gargalhadinhas minúsculas e sôfregas entre gritinhos de alegria.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Vasos comunicantes.





Hoboken, New Jersey, 1954, photo by Elliott Erwitt

O gigante.




Foram muito injustos.
Sentiu saudades da avó. 
 Abriu a mala, guardou o urso de peluche, o vestido que os tios lhe deram no Natal, nozes e    um pão. 
 Foi para a estação, mesmo ali, ao dobrar da esquina. 
Aproximou-se um gigante e disse-lhe que não podia viajar  sozinha.
 Ela senhora de si, olhou-o nos olhos, sem medo e respondeu:
  - Não é chochinha, é  pa cacha da avó Linda



  Bristol, England, 1936. photo by George W. Hales.

De cinzento...