terça-feira, 11 de junho de 2013

Miguel Trigueiros




Respiro, aspiro e o ar que me interfere
É o ar comum de alguém que eu interfiro,
Alguém que está em mim quando eu respiro,
Alguém que está comigo onde eu estiver.

Os outros somos nós.

Caem os gestos soltos como pomos,
Na comunhão dos espaços em que estamos.
E em cada gesto vamos, nele somos,
Inseridos os pomos sobre os ramos.

Os outros somos nós.

Flui de mim aos demais,
Flui e reflui tudo o que vibra em mim
E deles, vem o vibrar do que são e do que fui
Na síntese de todos e de alguém.

Os outros somos nós.

Deus Uni-Múltiplo, Deus comum
Porque havemos de juntos estar sós?
Depressa Deus, depressa, faz-nos um!
Que como em ti, um só, não é nenhum
E para sempre os outros somos nós.



( de Miguel Trigueiros sei apenas que era poeta, que muito certamente estudou em Coimbra e que viveu durante algum tempo em Coimbra na Rua Filipe Simões, perto do Penedo da Saudade. )   


A greve dos professores.






Amigos são aqueles que crescem comigo.

Nestes tempos de profundas mudanças, os direitos adquiridos, a ética nas relações, o respeito pelo trabalho sério, enfim,  sentimentos que fazem de nós seres humanos melhores, foram pulverizados por uma espécie de bicho da madeira para humanos, que corrói a alma, aniquila o sentimento de um povo, atordoa a razão.

Amigos são aqueles que seguem a meu lado.

As minhas maiores amigas, uma delas de um tamanho de irmã, estão em greve. Os professores estão em greve.

Estou particularmente com ela e de um modo geral com toda a classe.

Num tempo em que toda a gente acha que tem direitos e normalmente se esquecem das obrigações, porque dão trabalho e são chatas,  os professores deveriam ser a classe mais respeitada.

Num tempo em que o tempo é escasso, para as famílias formarem e acompanharem o crescimento dos seus jovens, são os professores que os procuram moldar, incutir-lhes princípios básicos que em casa não tiveram.

Agradecem-lhes?

 Não.

Alguns pais só sabem reivindicar os direitos dos seus meninos, podem nem saber o que eles fazem, como se comportam fora de casa, só sabem que têm direitos e que os professores estão ali para os garantirem.
São aqueles a quem os meninos se queixam do professor/a.
Os pais zelosos dos direitos das suas crianças dão-lhes razão. Vão á escola pedir satisfações, exigir que os seus meninos sejam respeitados...
Os mesmos meninos que não respeitam nem professores nem colegas, os querubins que fazem das palavras armas de arremesso a tudo o que é diferente deles, usam a alarvidade elevada á quinta potência e sentem-se reis de um bando de idiotas.

Nas escolas, diz-se hoje, há bulling, palavra importada para camuflar a falta de respeito, a má educação ou a ausência dela.
Nas escolas hoje e como sempre, há bons professores e bons alunos, em termos académicos e humanos. Daqueles que deixam marcas profundas uns nos outros, como uma cadeia mágica que nos faz sorrir sempre que nos lembramos de um professor que nos marcou, que nos ensinou a sermos qualquer coisa mais além de nós próprios.

Junto aos meus, os professores dos meus filhos e,  em nome deles e de tudo o que em mim de bom deixaram, agradeço e espero que voltem a ter a dignidade, o respeito e a importância que o ensino representa numa sociedade que se quer civilizada.