terça-feira, 11 de junho de 2013

A greve dos professores.






Amigos são aqueles que crescem comigo.

Nestes tempos de profundas mudanças, os direitos adquiridos, a ética nas relações, o respeito pelo trabalho sério, enfim,  sentimentos que fazem de nós seres humanos melhores, foram pulverizados por uma espécie de bicho da madeira para humanos, que corrói a alma, aniquila o sentimento de um povo, atordoa a razão.

Amigos são aqueles que seguem a meu lado.

As minhas maiores amigas, uma delas de um tamanho de irmã, estão em greve. Os professores estão em greve.

Estou particularmente com ela e de um modo geral com toda a classe.

Num tempo em que toda a gente acha que tem direitos e normalmente se esquecem das obrigações, porque dão trabalho e são chatas,  os professores deveriam ser a classe mais respeitada.

Num tempo em que o tempo é escasso, para as famílias formarem e acompanharem o crescimento dos seus jovens, são os professores que os procuram moldar, incutir-lhes princípios básicos que em casa não tiveram.

Agradecem-lhes?

 Não.

Alguns pais só sabem reivindicar os direitos dos seus meninos, podem nem saber o que eles fazem, como se comportam fora de casa, só sabem que têm direitos e que os professores estão ali para os garantirem.
São aqueles a quem os meninos se queixam do professor/a.
Os pais zelosos dos direitos das suas crianças dão-lhes razão. Vão á escola pedir satisfações, exigir que os seus meninos sejam respeitados...
Os mesmos meninos que não respeitam nem professores nem colegas, os querubins que fazem das palavras armas de arremesso a tudo o que é diferente deles, usam a alarvidade elevada á quinta potência e sentem-se reis de um bando de idiotas.

Nas escolas, diz-se hoje, há bulling, palavra importada para camuflar a falta de respeito, a má educação ou a ausência dela.
Nas escolas hoje e como sempre, há bons professores e bons alunos, em termos académicos e humanos. Daqueles que deixam marcas profundas uns nos outros, como uma cadeia mágica que nos faz sorrir sempre que nos lembramos de um professor que nos marcou, que nos ensinou a sermos qualquer coisa mais além de nós próprios.

Junto aos meus, os professores dos meus filhos e,  em nome deles e de tudo o que em mim de bom deixaram, agradeço e espero que voltem a ter a dignidade, o respeito e a importância que o ensino representa numa sociedade que se quer civilizada. 


  


     

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Gabriela




Ter amigos é bom.
Manter esses amigos é ainda melhor.
Ser um grupo de quatro amigas, que se mantêm desde a adolescência é uma sensação parecida com a de entrar em nossa casa depois de uma ausência. Suspiramos, aspiramos, sorrimos e...sentimo-nos em casa!

Nós as quatro, as amigas Benetton, todas diferentes, todas iguais na amizade que nos une.
Os anos de separação são sempre ontem. As conversas fluem como se fossem continuação do dia anterior. Os anos passam, os maridos passam, os cabelos ganham cores que não vieram da infância, mas a essência, essa incrivelmente, quase como por milagre mantem-se.

Temos a Inês, a provocadora, namoradeira (ainda hoje!), incendiária nas discussões, preferindo a “morte” a deixar de defender ad eternum aquilo em que acredita.

A Maria, brilhante aluna, como se estudar para ela fosse inato. Pronta a socorrer as suas amigas, com paciência e calma, sempre que necessário. Muito metódica, um grau de exigência grande para consigo mesma. Parece que nasceu adulta e desde sempre bem comportada.
      
Eu, a Francisca, com pouca coisa a dizer, apaziguadora, brincalhona e muito orgulhosa deste quarteto.

Depois e muito especialmente, porque amanhã dia 04.04.2013 faz anos, temos a Gabriela.
A nossa Bri é um mundo, que abarca todos os amigos, a família, os conhecidos e desconhecidos que precisem de alguma coisa. Multiplica-se e chega a todos com a sua voz que embrulha constantemente um sorriso.
Chego a pensar que deve ser Gabriela, por ter algum parentesco com o Anjo, esse mesmo o S. Gabriel.
Sempre a ouvir, nunca tem nenhuma queixa particular, chama nomes alto e bom som no trânsito, aos políticos e ladrões em geral…Os nomes são sempre em geral, porque se mesmo o desgraçado do ministro da Educação (ela é professora), tropeçasse e caísse á sua frente, lá vinha o lado de anjo da nossa Gabriela, ainda era capaz de lhe dar uma massagem no joelho dorido para não sentir tanta dor…   
Dela fica o sorriso e as suas gargalhadas sempre prontas a soltarem-se.
Fica a paciência de nos aturar e de nos ouvir nas dores e dissabores. E tu Gabriela?
- Comigo tá tudo bem filha! F…P…dum  C…estão sempre com novas M…, para lixarem isto tudo.
Diz isto com aquele ar de senhora educadíssima que é. Nós rimos e pensamos sempre, que temos como amiga uma das melhores pessoas do mundo.
Eu sinto-me privilegiada.
Parabéns!