Respiro, aspiro e o ar que me interfere
É o ar comum de alguém que eu interfiro,
Alguém que está em mim quando eu respiro,
Alguém que está comigo onde eu estiver.
Os outros somos nós.
Caem os gestos soltos como pomos,
Na comunhão dos espaços em que estamos.
E em cada gesto vamos, nele somos,
Inseridos os pomos sobre os ramos.
Os outros somos nós.
Flui de mim aos demais,
Flui e reflui tudo o que vibra em mim
E deles, vem o vibrar do que são e do que fui
Na síntese de todos e de alguém.
Os outros somos nós.
Deus Uni-Múltiplo, Deus comum
Porque havemos de juntos estar sós?
Depressa Deus, depressa, faz-nos um!
Que como em ti, um só, não é nenhum
E para sempre os outros somos nós.
( de Miguel Trigueiros sei apenas que era poeta, que muito certamente estudou em Coimbra e que viveu durante algum tempo em Coimbra na Rua Filipe Simões, perto do Penedo da Saudade. )
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