Como é habitual não consigo definir um.
Há sempre uma imensidão.
Pelas mais diversas razões mistura-se tudo
na minha cabeça, desde simples recortes de jornais, a frases retiradas de
encontros inesperados e escritas a letra corrida, a letras de canções que
são verdadeiros poemas, frases retiradas de filmes que se perderam na memória. Enfim,
descobri uma vez mais que tudo me marcou, desde os contos de fadas e o
enternecedor e reconfortante - Era uma vez...
Mas sim, há livros que me acompanharam e que me
levaram a querer descobrir quem estava por trás deles. O primeiro, não a ser
descoberto, mas a ser o mais amado, Albert Camus, magistral em tudo até
na sua qualidade de homem. Todos os seus escritos. Todos.
Depois John Steinbeck em A Leste do Paraíso,
fiquei a descobrir e fez imenso sentido, que do mesmo modo que nascem
pessoas deficientes físicas, podem nascer outras aparentemente normais, mas sem
capacidades básicas emocionais.
Os Cem Anos de Solidão do Gabriel Garcia Marquez,
e todos os outros do mesmo autor que vieram a seguir. A América Latina é
pródiga no sortilégio do encantamento da escrita, Jorge Amado e os Capitães da
Areia, José Mauro de Vasconcelos e a Rosinha Minha Canoa...Esta foi a minha adolescência...Ainda
com o Bom dia Tristeza da Françoise Sagan, ou os Dados estão Lançados do Jean -
Paul Sartre e claro, o lido e relido - O Principezinho, do Antoine de
Saint-Exupéry.
Estes e muitos outros levaram-me a descobrir mundo dentro do silêncio do meu
quarto.Os nossos autores, alguns esventrados nas aulas de Português, fizeram-me percorrer caminhos de outros tempos, Júlio Diniz, sentia os cheiros, os rubores, as aflições e alegrias dentro do meu peito. Cada fechar de um livro, era um olhar no vazio…dar um tempo de espera e começar outro.
Eça de Queiroz, era para mim a inteligência em estado puro. O limpar o mofo a uma espécie de superioridade lusa, redimensiona-la e ensinar-nos a rirmos de nós próprios.
Com Vergílio Ferreira…deslizava na solidão, no drama da condição humana, na morte, como ele próprio tão bem definiu:
«Não preferi a minha arte. Calhou-me. Ou talvez seja essa a sorte de todas as preferências: escolhe-se sempre o que nos coube, ou seja o que se é. Mas a verdade é que, se na escolha se escolhesse, escolheria a pintura».

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