Mais tarde, por volta dos 18 anos
foi um verdadeiro amor para a vida e uma contínua descoberta, Fernando
Pessoa, ele mesmo.
Álvaro de Campos, Alberto
Caeiro, todos os mundos que nos habitam, encontram-se em recantos dos seus
poemas. Um só. Uma” humanidade” com diversos nomes próprios.
Fernando Pessoa
Não sei quantas almas tenho
Não sei
quantas almas tenho.
Cada momento
mudei.
Continuamente
me estranho.
Nunca me vi
nem achei.
De tanto
ser, só tenho alma.
Quem tem
alma não tem
calma.
Quem vê é só
o que vê,
Quem sente
não é quem é,
Atento ao
que sou e vejo,
Torno-me
eles e não eu.
Cada meu
sonho ou desejo
É do que
nasce e não meu.
Sou minha
própria paisagem,
Assisto à
minha passagem,
Diverso,
móbil e só,
Não sei
sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: <<Fui eu?>>
Deus sabe, porque o escreveu.
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