domingo, 10 de março de 2013

Fernando Pessoa & Cª






Mais tarde, por volta dos 18 anos foi um verdadeiro  amor para a vida e uma contínua descoberta, Fernando Pessoa, ele mesmo.
 Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, todos os mundos que nos habitam, encontram-se em recantos dos seus poemas. Um só. Uma” humanidade” com diversos nomes próprios.

Fernando Pessoa 

Não sei quantas almas tenho
                                                                   
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.                                                                       
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: <<Fui eu?>>
Deus sabe, porque o escreveu.

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