domingo, 10 de março de 2013

A descoberta da poesia 1




Na verdade era muito "bicho do buraco" e ainda na pré adolescência descobri uma identificação profunda com a poesia, identificava-me o que me dava o conforto de não estar só, alguém sentira o mesmo (quantos seremos afinal?), abria-me horizontes, obrigava-me a dialogar comigo mesma, a interrogar-me a redescobrir-me e redimensionar o meu mundo, efectivamente a poesia tornou-me melhor pessoa.   
A minha mãe, por volta dos 13 anos apresentou-me a Manuel Bandeira:

Arte de amar

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus-— ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Pablo Neruda

 

Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.




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