O pai tinha dado a carteira à mãe no último Natal. Rita protectora segurava a mão de Daniel, o irmão mais novo com quem partilhava brincadeiras. João, já homem, levava a mão no bolso como o pai, iam todos passear até ao Palácio de Cristal.
"O homem não é nada em si mesmo. Não passa de uma probabilidade infinita. Mas ele é o responsável infinito dessa probabilidade." Albert Camus
sábado, 30 de junho de 2012
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Deus.
Quando preciso de serenidade, quando penso o que gostaria de levar na mão no dia em que me encontrar com Deus, visualizo um destes ramos.
A cor, a forma, o cheiro suave...Deus a sorrir, a deixar-me entrar e a fazer-me uma festa na cabeça.
A matemática dos relacionamentos.
As pessoas especiais irradiam uma espécie de beleza que nos enche a alma e coloca o pensamento em ebuliçao. È um fascinio permanente e uma dádiva do destino. Assim é, uma amiga da minha filha que alimenta incute e partilha a sua paixão pela filosofia.
Será sem dúvida, daquelas amigas de quem a minha filha falará aos netos, com o mesmo deslumbramento do primeiro dia em que a conheceu.
Como mãe e pelo que ouvi, tenho a certeza absoluta, de que a M é constituída 95% por uma mistura divina de pó de estrelas, e asas de anjo.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Dorme bem.
Ás vezes, em circunstâncias muito particulares, uma estrela pode aconchegar-se por cerca de nove meses na nossa barriga.
Até que um dia, resolve sair, em forma de rapaz enrugadinho e morno, a cheirar a bébé recém nascido.
Nota-se que é uma estrela, por pequenos, grandes pormenores.
Encontra a tristeza por trás do nosso sorriso...
As suas pontas, transformadas em mãos, dão-nos massagens nos ombros e no pescoço, quando já nos tinhamos esquecido do nosso cansaço...
Ou como num dia, numa fase de cansaço absoluto e profundo, soltamos uma frase de desprendimento de vida, sonhando com a imaginada pacatez da morte.
A estrela ouve e parece que não percebe.
Passa o dia.
Já deitada, com os cobertores pela cabeça e o radio debaixo da almofada a tocar baixinho, ouço a sua voz a atravessar o escuro:
- Boa noite, minha mãe! A mão a procurar a minha cara, um beijinho redondo na bochecha, e a estrela volta a falar:
- Não voltes a repetir aquilo que disseste.Dorme bem!
A Surpresa.
A chuva a bater na janela compunham uma melodia que me prendeu a atenção.
Aconcheguei o casaco e a alma e deixei o olhar perder-se por entre gotas e árvores tendo ao fundo um céu cinzento escuro e cansado.
-Mãe, mãeee, fecha os olhos!
Voz ofegante a acompanhar os passos rápidos que devoravam os degraus de madeira, a um ritmo cada vez mais próximo.
- Mãe fecha os olhos com força, não podes ver!
Senti abrir a porta da rua, invadiu a sala, ofegante e feliz. Cabelos , bata, mochila, tudo encharcado. Uns olhos muito vivos, cheios de brilho.
-Mãe, por favor, fecha os olhos com muito força, para não veres nada.Tenho uma surpresa, vais ficar muito feliz e dizeres que tens a melhor filha do mundo!
Fechei os olhos, com tanta força que me deu a sensação de mergulhar num céu escuro e estrelado.
-Abre a mão!
Senti a palma da minha mão preenchida por uma coisa algo pesada e fria.
Fiquei quieta.
-Podes abrir os olhos.
Um anjinho de barro, achatado e liso, pintado de brancos e dourados, piscava-me o olho esquerdo, enquanto segurava na mão direita uma lanterna.
- Fui eu que fiz, é para o nosso pinheiro de Natal!
À minha frente, de olhar expectante, olhos transbordando uma felicidade que esperava confirmação, perguntou:
- Então mãe, estás feliz?
- Claro, muito. Tenho a melhor filha do mundo!
Respirou fundo, deu-me um grande abraço molhado e foi para o quarto a dizer baixinho:
-Eu sabia!
Aconcheguei o casaco e a alma e deixei o olhar perder-se por entre gotas e árvores tendo ao fundo um céu cinzento escuro e cansado.
-Mãe, mãeee, fecha os olhos!
Voz ofegante a acompanhar os passos rápidos que devoravam os degraus de madeira, a um ritmo cada vez mais próximo.
- Mãe fecha os olhos com força, não podes ver!
Senti abrir a porta da rua, invadiu a sala, ofegante e feliz. Cabelos , bata, mochila, tudo encharcado. Uns olhos muito vivos, cheios de brilho.
-Mãe, por favor, fecha os olhos com muito força, para não veres nada.Tenho uma surpresa, vais ficar muito feliz e dizeres que tens a melhor filha do mundo!
Fechei os olhos, com tanta força que me deu a sensação de mergulhar num céu escuro e estrelado.
-Abre a mão!
Senti a palma da minha mão preenchida por uma coisa algo pesada e fria.
Fiquei quieta.
-Podes abrir os olhos.
Um anjinho de barro, achatado e liso, pintado de brancos e dourados, piscava-me o olho esquerdo, enquanto segurava na mão direita uma lanterna.
- Fui eu que fiz, é para o nosso pinheiro de Natal!
À minha frente, de olhar expectante, olhos transbordando uma felicidade que esperava confirmação, perguntou:
- Então mãe, estás feliz?
- Claro, muito. Tenho a melhor filha do mundo!
Respirou fundo, deu-me um grande abraço molhado e foi para o quarto a dizer baixinho:
-Eu sabia!
Calor, calor e mais calor.
Tudo à minha volta se queixa do calor.
Ninguém pode tocar ninguém, nem tão pouco tentar uma aproximação, estes dias de canícula deixam grande parte das pessoas que me rodeiam muito perto de um ataque de prostração aguda.
Em mim tudo funciona ao contrário, adoro estes dias em que saio das" temperaturas da zona dos congelados" do local de trabalho e recebo como um abraço, um calor reconfortante e acolhedor. E lá vou eu feliz, Clérigos acima, a olhar para tudo com um sentimento de bem estar e um sorriso estampado no rosto.
Chego a casa, os filhos quase em estado comatoso.
E eu feliz... a cantar desafinado um ou outro canto alentejano, acompanhando a genica com que preparo o jantar.
Ninguém pode tocar ninguém, nem tão pouco tentar uma aproximação, estes dias de canícula deixam grande parte das pessoas que me rodeiam muito perto de um ataque de prostração aguda.
Em mim tudo funciona ao contrário, adoro estes dias em que saio das" temperaturas da zona dos congelados" do local de trabalho e recebo como um abraço, um calor reconfortante e acolhedor. E lá vou eu feliz, Clérigos acima, a olhar para tudo com um sentimento de bem estar e um sorriso estampado no rosto.
E eu feliz... a cantar desafinado um ou outro canto alentejano, acompanhando a genica com que preparo o jantar.
domingo, 24 de junho de 2012
O tempo perdeu-se e anda ás voltas
O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.
Os carácteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: “o país está perdido!”Algum opositor do actual governo?... Não! "
Eça de Queirós.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
sábado, 9 de junho de 2012
A rosa.
Dos cheiros da comida pronta, das conversas que todas as paredes guardam, das brincadeiras e correrias...
De todas as nossas memórias, da casa em ruínas, perdura alheia ao tempo e a tudo o que desapareceu, a rosa a enfeitar um espelho.
Colocada para dar cor e dignidade a uma casa que nos acolheu com a maior ternura, um palácio onde cabiam todas as brincadeiras, inclusive um baloiço de balanço e risos.
E como som de fundo, a voz da avó a pedir cuidado para não nos magoarmos.
De todas as nossas memórias, da casa em ruínas, perdura alheia ao tempo e a tudo o que desapareceu, a rosa a enfeitar um espelho.
Colocada para dar cor e dignidade a uma casa que nos acolheu com a maior ternura, um palácio onde cabiam todas as brincadeiras, inclusive um baloiço de balanço e risos.
E como som de fundo, a voz da avó a pedir cuidado para não nos magoarmos.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Feira do Livro do Porto.
A Confissão da Leoa, de Mia Couto.
Acresce ao facto, dos livros de Mia Couto, me levarem sempre a passear para o lado maravilhosamente simples e desconcertante da vida, quem me ofereceu este, de olhos brilhantes de carinho, foi a minha filha.
Ou seja, um dia perfeito.
Este autor cria humanidade, torna-nos melhores. A mim dá-me felicidade, mundos mágicos, grandes lições, a cada virar de página.
Um vislumbre:
"Para chamar o sono recorro ao mesmo expediente que a minha mãe usava para nos adormecer. Recordo a sua história preferida, uma lenda da sua terra natal. Era assim que ela contava:
Antigamente não havia senão noite. E Deus pastoreava as estrelas no céu. Quando lhes dava mais alimento elas engordavam e a sua pança abarrotava de luz. Nesse tempo, todas as estrelas comiam, todas luziam de igual alegria. Os dias ainda não haviam nascido e, por isso, o Tempo caminhava com uma perna só. E tudo era tão lento no infinito firmamento! Até que, no rebanho do pastor, nasceu uma estrela com ganância de ser maior do que todas as outras. Essa estrela chamava-se Sol e cedo se apropriou dos pastos celestiais, expulsando para longe as outras estrelas que começaram a definhar. Pela primeira vez houve estrelas que penaram e, magrinhas, foram engolidas pelo escuro. Mais e mais o Sol ostentava grandeza, vaidoso dos seus domínios e do seu nome tão masculino. Ele, então , se intitulou patrão de todos os astros, assumindo arrogâncias de centro do Universo. Não tardou a proclamar que ele é que tinha criado Deus. O que sucedeu , na verdade, é que, com o Sol, assim soberano e imenso, tinha nascido o Dia. A Noite só se atrevia a proximar-se quando o Sol, já cansado se ia deitar. Com o Dia os homens esqueceram-se dos tempos infinitos em que todas as estrelas brilhavam de igual felicidade. E esqueceram a lição da Noite que sempre tinha sido rainha sem nunca ter que reinar."
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