segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

António Coimbra de Matos - João dos Santos



JOÃO DOS SANTOS



" À entrada para a Escola, a criança está a entrar também no que Freud chamou latência. Latência dos conhecimentos adquiridos directamente da observação das pessoas e da sua vida, para se dizer ignorante de tudo e dispor-se a tudo aprender...de novo. E a verdade é que os adultos vão nisso. Eles também foram crianças, trazem uma criança dentro deles. E é vê-los cada vez com  mais insistência a falar de educação, como se a educação fosse só o que se faz na Escola ou quando muito, como se o mais importante da educação fosse a educação escolar. Como se o saber andar, movimentar-se no espaço, manipular objectos, jogar afectivamente com as pessoas, ser ordenado, controlado e limpo, saber falar ! , não fossem as condições  sine qua non para existir como pessoa.
Cada um está no seu direito de pensar que na repartição oficial ou na instituição privada a que se chama escola primária, se aprendem coisas de grande importância. Mas o que niguem deveria ter o direito, é de permitir que muitas, muitas crianças não cheguem a adquirir as condições básicas de andar, movimentar-se, manipular, jogar, controlar-se, falar.
Que muitas outras se estupidifiquem por inadaptação á brusca transição entre um ambiente de miséria sem papel, nem lápis, nem livros e o ambiente da escola onde nada tem a ver com o passado dessas crianças."

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" Ninguém se exprime apenas por palavras, mas pelo verbo integrado pela atitude e pela expressão corporal. è de inspiração walliana e darwiniana a minha ideia de que a expressão corporal está na origem e acompanha a expressão falada.
Mas o homem fabricou utensílios e outras coisas recheadas de significado afectivo a que me apraz chamar objectos e que vão desde os amuletos,aos ícones e às obras de arte. Os objectos são, como as atitudes e os gestos, inseparáveis da linguagem.O utensílio serve ao homem para realizar operações sobre a natureza. A obra de arte serve para objectar, objectivar os seus afectos. Os sentimentos confundem-se por momentos, alteram-se num ou noutro sentido, interpenetram-se, não nos limites precisos, entre o que é útil e o que é belo. O homem tem o poder quando é educado a transformar o útil em beleza e a beleza em utilidade....."  

 
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" A aptidão para sonhar é no homem uma primeira forma de captar, seleccionar, registar, reter experiências que podem assim, dinamizadas pela energia do afecto, ser elaboradas, quer dizer, passadas por um processo de simbolização e retidas como símbolos.... As pessoas sonham com palavras? Se sim, então o homem precisou da palavras antes de sonhar, para com elas fabricar sonhos."   


È através da via emocional que a criança aprende o mundo exterior  
Assírio & Alvim - Maio 2009

Era uma vez....


Um sorriso e um pinheiro de Natal.


sábado, 15 de dezembro de 2012

JP


Fazer parecer que tudo é apenas aquilo que deve ser, que nada afinal é o fim do mundo e a vida continua...Fazer parecer, fazer de conta que estamos serenos e resignados, é desgastante e muito cansativo.

Mas, lamentarmo-nos a tudo e a todos, por tudo o que de menos bom nos acontece é para mim uma enorme falta de respeito pelo outro.

È como dizer asneiras, pura e simplesmente não consigo, não sei porquê é uma espécie de retracção interior que nunca explode. Mas como gosto de ouvir amigos e conhecidos a dizê-las!
Tão harmoniosamente enquadradas, até os tornam radiantes aos meus olhos e eu sorrio e rio, aliviada e quase feliz.

Transporto meio século e quatro anos de vida e memórias, mas reparo que em mim o ser adulto anda de mão dada com a criança  que fui, com a adolescente que provavelmente deveria ter sido, com as saudades de todos quantos fizeram parte de diferentes períodos da minha vida.

Na verdade acho que a minha vocação, natural ou induzida pelas circunstâncias, foi, é, a de ser mãe.
Porque ainda hoje acho que foi a única coisa que realmente fui.

Tudo mais apenas vivi. A diferença entre o ser o o viver está na intensidade da entrega.

Não é só o poeta que é um fingidor. Todos nós o somos.A esconder medos, a disfarçar vergonhas, a inventar enredos para compormos a nossa auto estima, a fazer piruetas e rábulas para nos enquadramos num grupo.

Definitivamente viver não é fácil, mas a observação também é absurda porque não há termo de comparação, morrer não sei como é.

Conheço apenas a humidade desconfortável que nos percorre a alma e chega até aos nossos olhos como um nevoeiro de média intensidade, quando pensamos em alguém muito próximo que partiu.

È uma espécie de montanha mais alta que a saudade, as memórias ajudam a escalada, aquecem as mãos enquanto subimos.
Mas o regresso é sempre um inicio, uma aceitação forçada de que parte de nós também partiu e nunca mais nada será igual.



 

   



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Exercício diário

A não esquecer:

 Repetir 20 vezes de manhã ao acordar
30 vezes sempre que se ouvem disparates, como as maiores descobertas cientificas do momento
40 quando a conversa nunca mais acaba
Acrescentar sempre mais 10 repetições, quando as asneiras são muitas.

Se for um dia muito mau...Nunca esquecer que no dia seguinte podemos começar tudo de novo.

 

A grande depressão.

Mudam-se os tempos?
Nas roupas, nas cores. Perdeu-se ocostume dos homens usarem chapéu.
Mas,  as situações e as angustias , as incertezas em relação ao futuro, o cansaço de uma espera sem fim, é em pleno sec XXI,  igual  nas filas dos centros de desemprego.



O silêncio impossível.




domingo, 9 de dezembro de 2012

Tolstoi



"O que fazer?', é o que se perguntam, em unanimidade, os poderosos e os subjugados, os revolucionários e os activistas sociais, entendendo sempre com essa questão o que os outros devem fazer; ninguém se pergunta quais são as suas próprias obrigações."

O Pintas



Há imagens que nos reconfortam:  Ohhhhhh


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Poema do Futuro - António Gedeão



Conscientemente escrevo e,conscientemente medito o meu destino.

No declive do tempo os anos correm, deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corop imóvel, exumado
da vala do poema.

Na história Natural dos sentimentos tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo o que resta
é tudo o que fica,
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a terra.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Há um mundo para além das aparências.





A maçaneta.


Houve dias em que chegavam os cinco ao mesmo tempo, todos a quererem furar o tempo e ser o primeiro a entrar em casa, a maçaneta ficava atordoada de tanto movimento.
Todos os dias de manhã durante anos e anos segurava sacos de pano primeiro com vinte pães, depois quando dois dos filhos foram trabalhar para Lisboa passaram a 10, até que D. Joaquina deixou de conseguir empurrar as suas pernas cansadas e a mãe passou a ir á padaria do Sr Florêncio, primo afastado da tia Ana, na esquina da Rua Azul.
Há dois anos que a casa está em ruínas, as ultimas mãos conhecidas a acariciarem a maçaneta que toda a vida os acompanhou em silêncio, foram as da mãe. Os dedos com atroses agarravam-na e aconchegavam-na enquanto olhava a rua como que a despedir-se.

Lembrou-se do dia em que o pai os deixou, mala na mão direita, abriu a porta decidido e fechou-a lentamente enquanto a sua mão pousava nostalgicavamente naquela peça que tanto usara, entre risos e discussões, com filhos ao colo e compras na outra mão...
Foi ele que lho disse quando ela adoeceu:
-Sabes Antónia, no dia em que saí de casa, lembei-me de quando escolheste a maçaneta da porta, depois de tanta procura, de nada servir, disseste , é esta! E senti que ela reprovava a minha saída, uma espécie de choque fininho percorreu o meu braço, como se fosse o seu vibrar a dizer, eu fico!
Eu cuido dela!
       


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sábado, 1 de dezembro de 2012

Apetites


Dezembro


1º de Dezembro em casa da minha avó.


Neste dia, em casa da minha avó em Coimbra, fazia questão de cantar  e ensinar aos netos o Hino da Restauração: 

Portugueses celebremos o dia da Redenção, em que valentes guerreiros nos deram livre a Nação.
A fé nos campos de Ourique , coragem deu e valor , aos famosos de 40 que lutaram com ardor.
Pra frente, pra frente, repetir saberemos as proezas portuguesas.

Avante, avante, vá avante a mocidade de Portugal, ,de Portugal! 
Tamtamtam tam, tamtamtam tam
Tam tam tam tam
tam tam tam tam

Era era risota geral e a última série de tam tams era grandiosa.:)




 

O Senhor António.


Todas as segundas de manhã o Senhor António lá está, á porta do banco, á espera do que ele chama a "portagem", uma moeda para tomar qualquer coisa quente.

Dorme na rua,  não sei onde , apenas sei que não gosta dos horários dos albergues, é superior a todas essas regras.
Na sua cabeça, todas as mulheres famosas do seu tempo foram suas mulheres, o seu mundo está povoado de filhos famosos  desde o Ronaldo ao 007.
Eles não sabem que ele está na rua, mas fica orgulhoso ao assumir a paternidade, deve afastar o vazio pesado das alturas em que sabe exactamente o que é.

Está sempre actualizado com todos os jornais gratuitos que vai lendo durante o dia.
Gosto dele. Não é um  mendigo comum. Tem personalidade, tem vida para além de parecer nada ter.

Não gosta de qualquer coisa.
Calça 43. Dei-lhe as botas do meu irmão.

 Estão lindas e sempre bem engraxadas. 


  


Só Entre Nós - Luís Osório



È um amigo virtual por quem tenho toda a ternura e que me faz ir ao facebook, normalmente para partilhar os seus estados de espírito.

Na verdade não o conheço pessoalmente, por outro lado,  é das pessoas com  quem ultimamente gosto mais de conviver. Sobretudo através das palavras e de tudo o que elas escondem, transmitem...
Tudo nos define.
Gosto de pessoas para quem a vida trouxe situações de desafio e escolheram o caminho do sentimento, da aceitação, do ser mais e melhor ser humano.
Não são escolhas fáceis, privilegiada sinto-me eu, por  poder partilhar alguns dos seus estados de alma, algumas das suas interrogações sobre o mundo ,a sua inesgotável capacidade e curiosidade de observar o que o rodeia.

Não me interessa gente famosa. Interessa-me gente, daquela que me torna melhor pessoa.

A minha mãe deu-me hoje o seu livro.
Muito engraçado. A capa, a colecção da qual faz parte, a dedicatória aos seus filhos, os textos...Tudo encaixa perfeitamente no que eu esperava.
Gostei.

"Há uma quantas caixinhas onde cabemos - tímidos e extrovertidos, utópicos e gélidos,frágeis e racionais, apaixonados , pervertidos e todos os que nos ocorrerem. O pior de todos os cubículos é o dos fortes que, por dentro, são frágeis. Ajudam, aconselham, estão sempre disponíveis  para os outros e a ninguém ocorre que lhes possa também faltar o ar. Regra geral, acabam esgotados.E mais sozinhos do que imaginamos.Por isso, quando conheço um anjo na terra, abraço-o forte - porque não é um anjo mas apenas um de nós. Alguém a quem falta o que nos falta." Luís Osório 

Psicologia do Vestir - Renato Sigurtá



"...Não é por acaso que encontramos no vestuário de todos os povos, quase sempre suspensos ao peito , um ou mais objectos( imagens,amuletos,etc.)que representam essencialmente esta função mágica e protectiva.
Ora, se quisermos usar um pouco de má vontade, as bases cientificas do poder anti-infeccioso da mascarazinha bucal tão frequente até alguns anos na  China Socialista, por definição implícita, des-supersticizada, não são mais válidas que as do conjunto de algum dente de lobo com certas ervas medicinais  dos saquinhos pendentes do pescoço dos pele-vermelhas.


Uma espécie de síntese entre o poder mágico-protectivo do amuleto e o da roupa verificou-se tambem durante a  1ª Grande Guerra, quando se difundiu entre os soldados o hábito de cozer por dentro da Farda toda uma série de objectos de infalível poder anti-ferida e até mesmo ant-morte.Cada nação segundo as suas tradições particilares tinha os seus amuletos: os ingleses usavam fragmentos de pele de gato preto, os austro-húngaros asas de mordego,os italianossaquinhos de terra ensanguentadaapanhada nas trincheiras e finalmente os franceses, com a forçosa concessão à grandeur , traziam libras de ouro."



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O gato.


Ana olhava o seu gato como que á espera da sua reacção. Tinha provado  um bocadinho do leite que estava no prato dele.
Ele, com maturidade, olhava o prato quase vazio.
Acabou por lhe dar uma lambidela e lembra-se de ter pensado: Criancices !

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Amigos?

Para sempre!



As janelas.

No prédio em frente vivia uma velhinhe cheia de artroses. Depois do almoço e nos dias em que o sol aquecia as vidraças da sua janela, ficava enconstada, a olhar o movimento, as gargalhadas, os esgares de dores das bailarinas em frente.
Quando a tarde caía, Alice, a dos totós, atirava-lhe beijos e sorrisos.

Olhou para a mesinha redonda e viu na jarra o ramo de rosas secas, com o laço amarelo a resistir ao tempo, foi ela Alice, que numa semana em que não saiu da cama, deve ter sentido  a sua falta e   perguntou no prédio onde poderia encontrar uma senhora velhinha, de cabelo curtinho e branco e um gato malhado muito gorducho.

- Para si!
Disse num sorrriso cheio de sol.
- Já tinha saudades...  


Deixem-me ouvir o silêncio.





terça-feira, 13 de novembro de 2012

Frágil, demasiado frágil...

 


Parece de uma estabilidade perfeita a fotografia! 

Parece como tudo parece qualquer coisa.

Mais uma vez me confrontei com a fragilidade das coisas, e do que faz mover o cérebro humano em particular.
Do meio dia ás nove da noite, pude observar na urgência de psiquiatria , não interessa de que hospital, como de repente podemos perdermo-nos de nós próprios, não nos reconhecermos, como se num ápice, demónios interiores nos dominassem a razão e tomassem a nossa vida de assalto.

Observava e não conseguia deixar de pensar que poderia ser eu.

Um rapaz alto de vinte e muito poucos anos, magro, trazia até as cadeiras amarelas do hospital lembranças de África que despontavam da sua carapinha, das sua pestanas  enormes e curvadas, da sua pose de descanso numa savana de cimento e paredes carregadas de histórias.
De auscultadores nos ouvidos, o fio pendia ao longo das pernas deixando-me a pensar que, ou a música surgia como por magia na sua cabeça, ou os auscultadores serviam para se distanciar ainda mais de tudo o que o cercava.
Mãe é mãe em qualquer raça, religião ou tonalidade de pele. E em pleno centro da ciência ocidental, novo vislumbre do continente africano, quando com todo o amor e certa de que a ouviriam, segurou na cabeça do seu filho e começou a exorcizar peremptória todos os demónios que o atormentavam.

 Era como se fosse tirando pensativa, pétala por pétala a um mal- me-quer..

Depois chegou a velhinha que ia pela nacional nr. 1, a pé para o Seixal, foi a neta que a encontrou. Quase a seguir chegaram dois filhos, o mais novo com ar meigo disfarçado atrás de um boné de pala ameaçadora, trazendo a mãe que os abraçava e lhes dava muitos beijos, mas se encontrava aprisionada num desespero tão escuro que deixava de ver os filhos e procurava pôr fim a uma vida que se tornara demasiado pesada.
Mais tarde veio o preso, rodeado de três policias, que pôs tudo em prevenção porque ia para a casa dos segredos...
O casal com a mulher aos gritos, tira-me daqui, tira-me daqui e ele de cara encostada á dela, tem calma mulher, tem calma...
  
Eu, ao canto a observar...
Humano, demasiado humano, dizia Nietzsche.
Frágil, demasiado frágil, pensei eu. 



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Who knows where the time goes - Eva Cassidy


A avó.

Cúmplices, os seus passeios eram eternos.
Todas as pedras do caminho lhes sorriam, entre um ou outro degrau, ás vezes surgiam  perguntas que a avó respondia pausadamente ao ritmo do seu passo arrastado. De cada uma, nasciam histórias que as embalavam até casa. 
Tiravam a roupa de sair, vestiam a de andar por casa e quando dava por si já estava rodeada de um cheiroso chá preto e um pequeno prato cheio de fatias de bolo fininhas,  e lá  continuavam as duas as suas  intermináveis conversas.





A familia.




domingo, 23 de setembro de 2012

Eduardo Galeano - El derecho al delirio.


Isolina e Alberto


Enquanto Isolina sorria feliz entre as voltas das folhas embaladas pelo vento, o gato Alberto com ar rezingão estava a dar meia volta para voltar ao sossego do seu sofá.


Manhã de domingo.

O silêncio do quarto é atravessado pelo conversa do vento com as folhas das árvores.
Devem estar a falar de coisas sérias, porque vão alternando entre uma certa pacatez e pontos de vista bem mais extremados.
Começou a chover, forte. O vento e a chuva continuam a dançar com as folhas e os ramos das árvores.
È Outono.
Eu gosto.



sábado, 22 de setembro de 2012

Pensamentos.




Good advices.


Platero e Eu - Juan Ramón Jimenez



Platero é pequeno, peludo, suave, tão macio , que dir-se-ia todo de algodão, que não tem ossos. Só os espelhos de azeviche dos seus olhos são duros como dois escaravelhos de cristal negro.
Deixo-o solto e vai para o prado, e acaricia levemente com o focinho, mal as roçando, as florinhas róseas, azuis celestes e amarelas...Chamo-o docemente:  Platero, e ele vem até mim com um trote curto e alegre que parece rir em não sei que guisalhar ideal...
Come o que lhe dou.Gosta das tangeniras, das uvas moscatéis, todas de âmbar,dos figos roxos. com a sua cristalina gotita de mel ...
È terno e mimoso como um menino, como uma menina...mas forte e seco como de pedra.Quando nele passo aos domingos, pelas ruelas da aldeia, os camponeses, vestidos de lavado e vagarosos, para a olhá--lo:
- Tem aço...
- Tem aço. Aço e parte de luar, ao mesmo tempo.




      

George Moustaki


Outono






Férias em 2012




B.B. King -Let the Good Times Roll


Jamaica Street - Glasgow 1901


 




sexta-feira, 31 de agosto de 2012

sábado, 25 de agosto de 2012

Cinematic Orchestra - To build a home





Compromissos.


O conjunto.

Flores, padrão do vestido, tom das veias das mãos, levam-na de volta a uma Primavera onde foi menina feliz. 



A mala.


Tiraram-lhe a casa.
Na mala guardou imagens, da pequena janela com as cortinas de renda que a mulher fizera nas tardes de Domingo, durante as horas de silêncio dos homens e animais.
A caixa de correio, feito por ele em latão...
A porta, onde as mãos eram campainhas acompanhadas por vozes conhecidas e logo identificadas.
Olhou para trás, os olhos retiveram por breves momentos a estrada, a casa, o Marão ao fundo.
Sorriu e nunca mais voltou.   









È bom lembrar!




A leitura.



sábado, 18 de agosto de 2012

A educação.


A educação, ontem e hoje, parece estar "ao contrário". Em vez de sensibilizar as crianças para o positivo, para o que fazem bem, para o que lhes pode dar segurança e confiança em si próprias, sensibiliza-as para o que as pode perturbar, inquietar, produzir desassossego, insegurança e desconfiança.

María de Jesús Álava Reyes " A Inutilidade do Sofrimeno"    

As sardas.



As sardas parecem pequenos pontos saídos do céu dos seus olhos.
Não é uma fotografia de criança, já há na sua expressão algo de filosofia de vida corrente, a vida ás vezes faz-nos pensar.














Óleo de figado de bacalhau


Uma colher diária.
Tapavamos o nariz e logo a seguir mastigavamos um gomo de laranja para ajudar a tirar o sabor.
Dava-nos sáude e fazia-nos crescer .





Give me that slow knowing smile