"O homem não é nada em si mesmo. Não passa de uma probabilidade infinita. Mas ele é o responsável infinito dessa probabilidade." Albert Camus
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
JOÃO DOS SANTOS
" À entrada para a Escola, a criança está a entrar também no que Freud chamou latência. Latência dos conhecimentos adquiridos directamente da observação das pessoas e da sua vida, para se dizer ignorante de tudo e dispor-se a tudo aprender...de novo. E a verdade é que os adultos vão nisso. Eles também foram crianças, trazem uma criança dentro deles. E é vê-los cada vez com mais insistência a falar de educação, como se a educação fosse só o que se faz na Escola ou quando muito, como se o mais importante da educação fosse a educação escolar. Como se o saber andar, movimentar-se no espaço, manipular objectos, jogar afectivamente com as pessoas, ser ordenado, controlado e limpo, saber falar ! , não fossem as condições sine qua non para existir como pessoa.
Cada um está no seu direito de pensar que na repartição oficial ou na instituição privada a que se chama escola primária, se aprendem coisas de grande importância. Mas o que niguem deveria ter o direito, é de permitir que muitas, muitas crianças não cheguem a adquirir as condições básicas de andar, movimentar-se, manipular, jogar, controlar-se, falar.
Que muitas outras se estupidifiquem por inadaptação á brusca transição entre um ambiente de miséria sem papel, nem lápis, nem livros e o ambiente da escola onde nada tem a ver com o passado dessas crianças."
.........
" Ninguém se exprime apenas por palavras, mas pelo verbo integrado pela atitude e pela expressão corporal. è de inspiração walliana e darwiniana a minha ideia de que a expressão corporal está na origem e acompanha a expressão falada.
Mas o homem fabricou utensílios e outras coisas recheadas de significado afectivo a que me apraz chamar objectos e que vão desde os amuletos,aos ícones e às obras de arte. Os objectos são, como as atitudes e os gestos, inseparáveis da linguagem.O utensílio serve ao homem para realizar operações sobre a natureza. A obra de arte serve para objectar, objectivar os seus afectos. Os sentimentos confundem-se por momentos, alteram-se num ou noutro sentido, interpenetram-se, não nos limites precisos, entre o que é útil e o que é belo. O homem tem o poder quando é educado a transformar o útil em beleza e a beleza em utilidade....."
.........
" A aptidão para sonhar é no homem uma primeira forma de captar, seleccionar, registar, reter experiências que podem assim, dinamizadas pela energia do afecto, ser elaboradas, quer dizer, passadas por um processo de simbolização e retidas como símbolos.... As pessoas sonham com palavras? Se sim, então o homem precisou da palavras antes de sonhar, para com elas fabricar sonhos."
È através da via emocional que a criança aprende o mundo exterior
Assírio & Alvim - Maio 2009
sábado, 15 de dezembro de 2012
JP
Fazer parecer que tudo é apenas aquilo que deve ser, que nada afinal é o fim do mundo e a vida continua...Fazer parecer, fazer de conta que estamos serenos e resignados, é desgastante e muito cansativo.
Mas, lamentarmo-nos a tudo e a todos, por tudo o que de menos bom nos acontece é para mim uma enorme falta de respeito pelo outro.
È como dizer asneiras, pura e simplesmente não consigo, não sei porquê é uma espécie de retracção interior que nunca explode. Mas como gosto de ouvir amigos e conhecidos a dizê-las!
Tão harmoniosamente enquadradas, até os tornam radiantes aos meus olhos e eu sorrio e rio, aliviada e quase feliz.
Transporto meio século e quatro anos de vida e memórias, mas reparo que em mim o ser adulto anda de mão dada com a criança que fui, com a adolescente que provavelmente deveria ter sido, com as saudades de todos quantos fizeram parte de diferentes períodos da minha vida.
Na verdade acho que a minha vocação, natural ou induzida pelas circunstâncias, foi, é, a de ser mãe.
Porque ainda hoje acho que foi a única coisa que realmente fui.
Tudo mais apenas vivi. A diferença entre o ser o o viver está na intensidade da entrega.
Não é só o poeta que é um fingidor. Todos nós o somos.A esconder medos, a disfarçar vergonhas, a inventar enredos para compormos a nossa auto estima, a fazer piruetas e rábulas para nos enquadramos num grupo.
Definitivamente viver não é fácil, mas a observação também é absurda porque não há termo de comparação, morrer não sei como é.
Conheço apenas a humidade desconfortável que nos percorre a alma e chega até aos nossos olhos como um nevoeiro de média intensidade, quando pensamos em alguém muito próximo que partiu.
È uma espécie de montanha mais alta que a saudade, as memórias ajudam a escalada, aquecem as mãos enquanto subimos.
Mas o regresso é sempre um inicio, uma aceitação forçada de que parte de nós também partiu e nunca mais nada será igual.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Exercício diário
A não esquecer:
Repetir 20 vezes de manhã ao acordar
30 vezes sempre que se ouvem disparates, como as maiores descobertas cientificas do momento
40 quando a conversa nunca mais acaba
Acrescentar sempre mais 10 repetições, quando as asneiras são muitas.
Se for um dia muito mau...Nunca esquecer que no dia seguinte podemos começar tudo de novo.
A grande depressão.
Mudam-se os tempos?
Nas roupas, nas cores. Perdeu-se ocostume dos homens usarem chapéu.
Mas, as situações e as angustias , as incertezas em relação ao futuro, o cansaço de uma espera sem fim, é em pleno sec XXI, igual nas filas dos centros de desemprego.
domingo, 9 de dezembro de 2012
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Poema do Futuro - António Gedeão
Conscientemente escrevo e,conscientemente medito o meu destino.
No declive do tempo os anos correm, deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corop imóvel, exumado
da vala do poema.
Na história Natural dos sentimentos tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo o que resta
é tudo o que fica,
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a terra.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
A maçaneta.
Houve dias em que chegavam os cinco ao mesmo tempo, todos a quererem furar o tempo e ser o primeiro a entrar em casa, a maçaneta ficava atordoada de tanto movimento.
Todos os dias de manhã durante anos e anos segurava sacos de pano primeiro com vinte pães, depois quando dois dos filhos foram trabalhar para Lisboa passaram a 10, até que D. Joaquina deixou de conseguir empurrar as suas pernas cansadas e a mãe passou a ir á padaria do Sr Florêncio, primo afastado da tia Ana, na esquina da Rua Azul.
Há dois anos que a casa está em ruínas, as ultimas mãos conhecidas a acariciarem a maçaneta que toda a vida os acompanhou em silêncio, foram as da mãe. Os dedos com atroses agarravam-na e aconchegavam-na enquanto olhava a rua como que a despedir-se.
Lembrou-se do dia em que o pai os deixou, mala na mão direita, abriu a porta decidido e fechou-a lentamente enquanto a sua mão pousava nostalgicavamente naquela peça que tanto usara, entre risos e discussões, com filhos ao colo e compras na outra mão...
Foi ele que lho disse quando ela adoeceu:
-Sabes Antónia, no dia em que saí de casa, lembei-me de quando escolheste a maçaneta da porta, depois de tanta procura, de nada servir, disseste , é esta! E senti que ela reprovava a minha saída, uma espécie de choque fininho percorreu o meu braço, como se fosse o seu vibrar a dizer, eu fico!
Eu cuido dela!
domingo, 2 de dezembro de 2012
sábado, 1 de dezembro de 2012
1º de Dezembro em casa da minha avó.
Neste dia, em casa da minha avó em Coimbra, fazia questão de cantar e ensinar aos netos o Hino da Restauração:
Portugueses celebremos o dia da Redenção, em que valentes guerreiros nos deram livre a Nação.
A fé nos campos de Ourique , coragem deu e valor , aos famosos de 40 que lutaram com ardor.
Pra frente, pra frente, repetir saberemos as proezas portuguesas.
Tamtamtam tam, tamtamtam tam
Tam tam tam tam
tam tam tam tam
Era era risota geral e a última série de tam tams era grandiosa.:)
O Senhor António.
Todas as segundas de manhã o Senhor António lá está, á porta do banco, á espera do que ele chama a "portagem", uma moeda para tomar qualquer coisa quente.
Dorme na rua, não sei onde , apenas sei que não gosta dos horários dos albergues, é superior a todas essas regras.
Na sua cabeça, todas as mulheres famosas do seu tempo foram suas mulheres, o seu mundo está povoado de filhos famosos desde o Ronaldo ao 007.
Eles não sabem que ele está na rua, mas fica orgulhoso ao assumir a paternidade, deve afastar o vazio pesado das alturas em que sabe exactamente o que é.
Está sempre actualizado com todos os jornais gratuitos que vai lendo durante o dia.
Gosto dele. Não é um mendigo comum. Tem personalidade, tem vida para além de parecer nada ter.
Não gosta de qualquer coisa.
Calça 43. Dei-lhe as botas do meu irmão.
Estão lindas e sempre bem engraxadas.
Só Entre Nós - Luís Osório
È um amigo virtual por quem tenho toda a ternura e que me faz ir ao facebook, normalmente para partilhar os seus estados de espírito.
Na verdade não o conheço pessoalmente, por outro lado, é das pessoas com quem ultimamente gosto mais de conviver. Sobretudo através das palavras e de tudo o que elas escondem, transmitem...
Tudo nos define.
Gosto de pessoas para quem a vida trouxe situações de desafio e escolheram o caminho do sentimento, da aceitação, do ser mais e melhor ser humano.
Não são escolhas fáceis, privilegiada sinto-me eu, por poder partilhar alguns dos seus estados de alma, algumas das suas interrogações sobre o mundo ,a sua inesgotável capacidade e curiosidade de observar o que o rodeia.
Não me interessa gente famosa. Interessa-me gente, daquela que me torna melhor pessoa.
A minha mãe deu-me hoje o seu livro.
Muito engraçado. A capa, a colecção da qual faz parte, a dedicatória aos seus filhos, os textos...Tudo encaixa perfeitamente no que eu esperava.
Gostei.
"Há uma quantas caixinhas onde cabemos - tímidos e extrovertidos, utópicos e gélidos,frágeis e racionais, apaixonados , pervertidos e todos os que nos ocorrerem. O pior de todos os cubículos é o dos fortes que, por dentro, são frágeis. Ajudam, aconselham, estão sempre disponíveis para os outros e a ninguém ocorre que lhes possa também faltar o ar. Regra geral, acabam esgotados.E mais sozinhos do que imaginamos.Por isso, quando conheço um anjo na terra, abraço-o forte - porque não é um anjo mas apenas um de nós. Alguém a quem falta o que nos falta." Luís Osório
Psicologia do Vestir - Renato Sigurtá
"...Não é por acaso que encontramos no vestuário de todos os povos, quase sempre suspensos ao peito , um ou mais objectos( imagens,amuletos,etc.)que representam essencialmente esta função mágica e protectiva.
Ora, se quisermos usar um pouco de má vontade, as bases cientificas do poder anti-infeccioso da mascarazinha bucal tão frequente até alguns anos na China Socialista, por definição implícita, des-supersticizada, não são mais válidas que as do conjunto de algum dente de lobo com certas ervas medicinais dos saquinhos pendentes do pescoço dos pele-vermelhas.
Uma espécie de síntese entre o poder mágico-protectivo do amuleto e o da roupa verificou-se tambem durante a 1ª Grande Guerra, quando se difundiu entre os soldados o hábito de cozer por dentro da Farda toda uma série de objectos de infalível poder anti-ferida e até mesmo ant-morte.Cada nação segundo as suas tradições particilares tinha os seus amuletos: os ingleses usavam fragmentos de pele de gato preto, os austro-húngaros asas de mordego,os italianossaquinhos de terra ensanguentadaapanhada nas trincheiras e finalmente os franceses, com a forçosa concessão à grandeur , traziam libras de ouro."
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
O gato.
Ana olhava o seu gato como que á espera da sua reacção. Tinha provado um bocadinho do leite que estava no prato dele.
Ele, com maturidade, olhava o prato quase vazio.
Acabou por lhe dar uma lambidela e lembra-se de ter pensado: Criancices !
sábado, 17 de novembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
As janelas.
No prédio em frente vivia uma velhinhe cheia de artroses. Depois do almoço e nos dias em que o sol aquecia as vidraças da sua janela, ficava enconstada, a olhar o movimento, as gargalhadas, os esgares de dores das bailarinas em frente.
Quando a tarde caía, Alice, a dos totós, atirava-lhe beijos e sorrisos.
Olhou para a mesinha redonda e viu na jarra o ramo de rosas secas, com o laço amarelo a resistir ao tempo, foi ela Alice, que numa semana em que não saiu da cama, deve ter sentido a sua falta e perguntou no prédio onde poderia encontrar uma senhora velhinha, de cabelo curtinho e branco e um gato malhado muito gorducho.
- Para si!
Disse num sorrriso cheio de sol.
- Já tinha saudades...
Quando a tarde caía, Alice, a dos totós, atirava-lhe beijos e sorrisos.
Olhou para a mesinha redonda e viu na jarra o ramo de rosas secas, com o laço amarelo a resistir ao tempo, foi ela Alice, que numa semana em que não saiu da cama, deve ter sentido a sua falta e perguntou no prédio onde poderia encontrar uma senhora velhinha, de cabelo curtinho e branco e um gato malhado muito gorducho.
- Para si!
Disse num sorrriso cheio de sol.
- Já tinha saudades...
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Frágil, demasiado frágil...
Parece de uma estabilidade perfeita a fotografia!
Parece como tudo parece qualquer coisa.
Mais uma vez me confrontei com a fragilidade das coisas, e do que faz mover o cérebro humano em particular.
Do meio dia ás nove da noite, pude observar na urgência de psiquiatria , não interessa de que hospital, como de repente podemos perdermo-nos de nós próprios, não nos reconhecermos, como se num ápice, demónios interiores nos dominassem a razão e tomassem a nossa vida de assalto.
Observava e não conseguia deixar de pensar que poderia ser eu.
Um rapaz alto de vinte e muito poucos anos, magro, trazia até as cadeiras amarelas do hospital lembranças de África que despontavam da sua carapinha, das sua pestanas enormes e curvadas, da sua pose de descanso numa savana de cimento e paredes carregadas de histórias.
De auscultadores nos ouvidos, o fio pendia ao longo das pernas deixando-me a pensar que, ou a música surgia como por magia na sua cabeça, ou os auscultadores serviam para se distanciar ainda mais de tudo o que o cercava.
Mãe é mãe em qualquer raça, religião ou tonalidade de pele. E em pleno centro da ciência ocidental, novo vislumbre do continente africano, quando com todo o amor e certa de que a ouviriam, segurou na cabeça do seu filho e começou a exorcizar peremptória todos os demónios que o atormentavam.
Era como se fosse tirando pensativa, pétala por pétala a um mal- me-quer..
Depois chegou a velhinha que ia pela nacional nr. 1, a pé para o Seixal, foi a neta que a encontrou. Quase a seguir chegaram dois filhos, o mais novo com ar meigo disfarçado atrás de um boné de pala ameaçadora, trazendo a mãe que os abraçava e lhes dava muitos beijos, mas se encontrava aprisionada num desespero tão escuro que deixava de ver os filhos e procurava pôr fim a uma vida que se tornara demasiado pesada.
Mais tarde veio o preso, rodeado de três policias, que pôs tudo em prevenção porque ia para a casa dos segredos...
O casal com a mulher aos gritos, tira-me daqui, tira-me daqui e ele de cara encostada á dela, tem calma mulher, tem calma...
Eu, ao canto a observar...
Humano, demasiado humano, dizia Nietzsche.
Frágil, demasiado frágil, pensei eu.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
A avó.
Cúmplices, os seus passeios eram eternos.
Todas as pedras do caminho lhes sorriam, entre um ou outro degrau, ás vezes surgiam perguntas que a avó respondia pausadamente ao ritmo do seu passo arrastado. De cada uma, nasciam histórias que as embalavam até casa.
Tiravam a roupa de sair, vestiam a de andar por casa e quando dava por si já estava rodeada de um cheiroso chá preto e um pequeno prato cheio de fatias de bolo fininhas, e lá continuavam as duas as suas intermináveis conversas.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
A minha janela.
Tem sonhos embalados em azul,
Mistérios que se vislumbram ao longe,
Pedaços de conversas apanhados no vento.
A minha janela tem cor
de flor...
E o cheiro das glicínias a perfumar todo o ar em redor.
domingo, 23 de setembro de 2012
Isolina e Alberto
Enquanto Isolina sorria feliz entre as voltas das folhas embaladas pelo vento, o gato Alberto com ar rezingão estava a dar meia volta para voltar ao sossego do seu sofá.
Manhã de domingo.
O silêncio do quarto é atravessado pelo conversa do vento com as folhas das árvores.
Devem estar a falar de coisas sérias, porque vão alternando entre uma certa pacatez e pontos de vista bem mais extremados.
Começou a chover, forte. O vento e a chuva continuam a dançar com as folhas e os ramos das árvores.
È Outono.
Eu gosto.
Devem estar a falar de coisas sérias, porque vão alternando entre uma certa pacatez e pontos de vista bem mais extremados.
Começou a chover, forte. O vento e a chuva continuam a dançar com as folhas e os ramos das árvores.
È Outono.
Eu gosto.
sábado, 22 de setembro de 2012
Platero e Eu - Juan Ramón Jimenez
Platero é pequeno, peludo, suave, tão macio , que dir-se-ia todo de algodão, que não tem ossos. Só os espelhos de azeviche dos seus olhos são duros como dois escaravelhos de cristal negro.
Deixo-o solto e vai para o prado, e acaricia levemente com o focinho, mal as roçando, as florinhas róseas, azuis celestes e amarelas...Chamo-o docemente: Platero, e ele vem até mim com um trote curto e alegre que parece rir em não sei que guisalhar ideal...
Come o que lhe dou.Gosta das tangeniras, das uvas moscatéis, todas de âmbar,dos figos roxos. com a sua cristalina gotita de mel ...
È terno e mimoso como um menino, como uma menina...mas forte e seco como de pedra.Quando nele passo aos domingos, pelas ruelas da aldeia, os camponeses, vestidos de lavado e vagarosos, para a olhá--lo:
- Tem aço...
- Tem aço. Aço e parte de luar, ao mesmo tempo.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
A avó.
Havia um mundo infinito nas suas histórias.
Desde peixes dourados que liam o futuro dos meninos, casas onde á noite os móveis espirravam e o pó transformava-se em bolas de sabão.
Chávenas que enquanto o leite estava a aquecer levantavam voo...
A partilha.
È um movimento de reciprocidade. Ana, feliz e de cabelo ao vento, convidou o António para trocarem os livros que mais gostaram.
Sem falarem ficaram a conhecer-se melhor.
domingo, 26 de agosto de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
O conjunto.
Flores, padrão do vestido, tom das veias das mãos, levam-na de volta a uma Primavera onde foi menina feliz.
A mala.
Tiraram-lhe a casa.
Na mala guardou imagens, da pequena janela com as cortinas de renda que a mulher fizera nas tardes de Domingo, durante as horas de silêncio dos homens e animais.
A caixa de correio, feito por ele em latão...
A porta, onde as mãos eram campainhas acompanhadas por vozes conhecidas e logo identificadas.
Olhou para trás, os olhos retiveram por breves momentos a estrada, a casa, o Marão ao fundo.
Sorriu e nunca mais voltou.
sábado, 18 de agosto de 2012
A educação.
A educação, ontem e hoje, parece estar "ao contrário". Em vez de sensibilizar as crianças para o positivo, para o que fazem bem, para o que lhes pode dar segurança e confiança em si próprias, sensibiliza-as para o que as pode perturbar, inquietar, produzir desassossego, insegurança e desconfiança.
María de Jesús Álava Reyes " A Inutilidade do Sofrimeno"
As sardas.
As sardas parecem pequenos pontos saídos do céu dos seus olhos.
Não é uma fotografia de criança, já há na sua expressão algo de filosofia de vida corrente, a vida ás vezes faz-nos pensar.
Óleo de figado de bacalhau
Uma colher diária.
Tapavamos o nariz e logo a seguir mastigavamos um gomo de laranja para ajudar a tirar o sabor.
Dava-nos sáude e fazia-nos crescer .
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
As caixas.
Rebuçados e segredos, postais de viagens e cartas antigas, conchas e pedras do mar, linhas, fios coloridos e emanharanhados, botões de todas as formas...
As caixas guardam bocados de mim. São cofres da minha alma.
Quando a nostalgia chega, são nelas que me aconchego.
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