sábado, 3 de dezembro de 2011

Fomos colegas de liceu.
Diferentes, achava admirável a sua maneira de enfrentar o ar, os dias, as pessoas. Sempre de passo seguro, sem medo de afrontas, dava respostas extraordinariamente desconcertantes, dizia o que pensava e seguia  o seu caminho de cabeça bem levantada; Quem não estivesse bem, que tratasse de se pôr.

Olhos vivos , com  brilho fresco  de uma vida que devia imaginar e desejar fascinante.
Bonita, com uma gargalhada solta e aberta ao mundo.
Como rapariga de liceu, queria mais do que o namorado certinho, daqueles que parecem sair perfeitos da caixa dos namorados perfeitos.
Na faculdade já éramos muito amigas.
Espicaçava as minhas lamurias,  gozava com o meu polidamente correcto.
No essencial,  mantinha-se a mesma miúda do liceu, só que agora ávida de experiências, de troca de ideias, mais dona de si própria.

Um dia em que deveríamos ir ou a vir da faculdade, o destino confundiu-nos.
Em plena Praça da Galiza, existia um Banco chamado Fonsecas e Burnay, disse-me como se fosse a coisa mais natural do mundo: Concorri para este Banco!
Estávamos a estudar Historia e o futuro que construíamos era o de leccionarmos . Dar aulas era o meu sonho, por isso, disse qualquer coisa do género: A sério, que horror ! Detestava trabalhar num Banco.

A partir daí os nossos papeis na vida parecem ter sido  trocados.
Antes de terminar o curso comecei a trabalhar num Banco e eu, que era dada a paixões platónicas vejo-me quase que de repente,  casada com o meu melhor amigo.

Vivemos anos e anos, afastadas mas próximas.
Hoje já depois de atravessarmos o meio século de caminho, os nossos silêncios são carregados de palavras. E quando falamos é sempre  uma continuação.
Como a definir?

Definitivamente a minha melhor amiga, aquela que me conhece tão bem ou melhor do que eu própria!
Muito redutor para condensar todos os mundos que carrega em si.
Uma poesia para a descrever ? Talvez a primeira estrofe de um poema de  Mário Sá Carneiro:
  
Quase
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Porque esta ? Porque o golpe de asa ainda pode chegar.
Com ela, nunca se sabe!
Projecções futuras:


A do lado direito és tu claro, a outra sou eu . Repara como continuas espevitada!

3 comentários:

  1. do melhor do melhor....

    a vida é mesmo, mesmo surpreendente.

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  2. Olha que duas!
    Gostei de ler sobre esta amizade e sobre tão exata descrição...

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  3. PC

    Continua tremendamente surpreendente, que o diga a auto estrada de Sto Tirso :))))


    Cornéli@

    Não há ninguém que apresente melhores credenciais para avaliar :) Obrigada é bonita mesmo.

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